Um jardim, onde nascem plantas e ideias

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Por Eugénia Dias

Hoje há nesta morada um jardim. Mas antes havia apenas um sonho. Um pequeninho e efémero sonho, onde nunca nada ia (re)nascer, onde nunca se podia plantar, onde logo depois de sonhado, ao se acordar, o jardim desaparecia.

Sabe-se hoje que a distância entre o sonho e a realidade depende da força de vontade e é assim que nasce um jardim.

Como todos, com recantos e encantos de muitas cores, flores abençoadas pelo sol, que dançam com o vento e perfumam o ar com mil fragâncias, saudando quem pisa a relva que as cerca.

Há um manto macio de um verde luminoso que acalma quem, com os pés descalços, ali caminha. Contudo, nada de frágil tem este jardim. Todo o jardim é forte e robusto, capaz de resistir às brincadeiras ágeis e laboriosas das crianças ou de agradáveis convívios debaixo uma pérgula. E ser forte é ser vulnerável. A forma, dimensão e até o espaço altera-se conforme cada planta nova que chega.

O lugar acolhe árvores, também de fruto, que com os seus “primeiros provadores”, os artistas irrequietos que cantam pela manhã e preparam os ninhos para acolher os seus, sabe-se exactamente quando estão maduros para serem colhidos.

Há, no meu jardim, uma árvore plantada no dia de nascimento de cada neto. A oliveira Diana, a tangerineira Gonçalo, o pessegueiro Diogo são as minhas eternas companheiras da Natureza.

A beleza de cada jardim é única. A importância é indiscutível. Para o ambiente, para a sociedade, até para a saúde mental. O tratamento, esse é universal e composto por cinco simples letras.