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Friday, July 1, 2022

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Projecto Ubuntu, a cola que une as pessoas

Aproximar as pessoas, criar redes de colaboração social, envolver toda a gente. “Ubuntu no bairro” faz parte de um projecto mais vasto “Meu bairro, minha rua”, cujos objectivos são o fortalecimento de relações de confiança e a resolução de microproblemas. Os ganhos desta iniciativa de âmbito social deixam uma perspectiva animadora…

Maria Luísa Bissotto

Resolver pequenos problemas tem o condão de, muitas vezes, gerar grandes ganhos na qualidade de vida das populações. As redes de colaboração social fortalecem relações de confiança. Ouvir directamente as pessoas que vivem em zonas de maior concentração urbana é o ponto de partida para o desenvolvimento de acções. “Temos uma sociedade muito fragmentada, muito bipolarizada, sem redes de vizinhança, e [está] desligada da participação cívica”, explica ao Vozes de Gaia Sara Martins Silva, coordenadora do projecto “Ubuntu no bairro”.

A iniciativa é pioneira em Portugal e é a vertente afectiva de um projecto mais vasto: “Meu bairro, minha rua”. A outra vertente, a material, implica a realização de obras nos espaços públicos, assumidas principalmente pela Câmara de Gaia. Assim, “Ubuntu no bairro” tem como objectivos promover interacções entre pessoas e instituições que convivem nesses espaços. A supervisão do projecto está a cargo do Instituto Padre António Vieira (IPAV).

Criado em 2019, “Meu bairro, minha rua” aconteceu com a experiência-piloto feita no quarteirão da Biblioteca Municipal de Gaia. A autarquia propôs-se, então, levar por diante este projecto com os seguintes objectivos: promover a criação conjunta do espaço público, criar e fomentar redes de colaboração social, fortalecer relações de confiança e resolver microproblemas.

As escolas são as âncoras das actividades socioeducativas.
Foto: DR

Saber ouvir as populações

A escuta activa de pessoas que vivem em zonas de maior concentração urbana é o princípio do desenvolvimento das acções. Surgem, então, “dois grandes valores para o projecto: estabelecer a proximidade do poder público às necessidades efectivas daquela população e incentivar a participação, mostrar às pessoas que vale a pena participar, que não têm de estar distantes da governação”, esclarece Cristiana Nóbrega, responsável pelo “Meu bairro, minha rua”.

São sete as zonas intervencionadas: Quarteirão da Biblioteca, Quebrantões; António Sérgio, Cedro (Mafamude e Vilar do Paraíso); Senhora da Graça (Grijó e Sermonde); São João (Canelas) e do Espinheiro (Canidelo). A previsão da autarquia é a de poder envolver 30 comunidades.

“Quanto mais pessoas estiverem relacionadas com o município, melhor”, enfatiza Cristiana Nóbrega. “É importante conhecer efectivamente a realidade dos locais para que depois a governança possa decidir em função dessa realidade. Assim, conseguimos racionalizar e direccionar melhor os recursos financeiros. Acima de tudo, as pessoas sentem-se mais acolhidas, que é, para mim, o benefício maior.”

A filosofia Ubuntu e os resultados

“Eu sou porque tu és” é a frase que resume a filosofia Ubuntu e que salienta a interdependência humana. Sara Martins Silva adverte para a necessidade de “voltar a criar essas redes [de colaboração social], ainda que em escalas micro”. “Explicar às populações as vantagens da cooperação entre as próprias pessoas, destas com as entidades, e trabalharmos com a consciência de interdependência, que é o que caracteriza a metodologia Ubuntu.”

As escolas são a âncora para o desenrolar das atividades socioeducativas, a partir das quais as famílias, as empresas e a comunidade vão sendo envolvidas, sempre de acordo com as especificidades de cada bairro. Todas as acções assumem a perspectiva de uma ética do cuidado e do desenvolvimento de lideranças servidoras. 

Os projectos duram três anos e a Câmara de Gaia é o investidor social, com 30 por cento dos custos (105 000 euros, em três anos). Os restantes 70 por cento provêm de fundos europeus, com o apoio da iniciativa Portugal Inovação Social e co-financiado pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego. Em 2020, o município de Gaia foi o maior investidor social do país, com 1 480 118 euros aplicados.

[Textos originalmente publicados na edição em papel do Vozes de Gaia.]

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