Ainda há bom património preservado

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Fonte dos Golfinhos

Por FERNANDA MAIA, FLORINDA SOUSA E EUGÉNIA DIAS

Vila Nova de Gaia nem sempre teve água suficiente para abastecer a sua população. Havia gastos elevados com manutenção e limpeza de fontes e fontanários, bem como o facto de a água ser utilizada pelas populações sem que daí o município angariasse receita.

No final do século XIX, a água passou a ser analisada no Laboratório Químico Municipal do Porto. Na primeira metade do século XX, reforçou-se o investimento na construção de novas fontes, lavadouros e manutenção dos existentes, visando a saúde pública.

O Vozes de Gaia olha com mais atenção para a freguesia de Mafamude, então rica em águas. Apesar de algumas dessas fontes terem sido demolidas ou soterradas, fruto da pressão urbanística, outras ainda existem, e conhecidas pelo nome do lugar onde estão inseridas.

Fonte das Águas Férreas

Referida em 1845, foi motivo de preocupação pela degradação natural e pelo mau uso dos seus utentes – despejo de detritos. Hoje, encravada entre casas, quase passa despercebida. Local: Rua da Fonte Velha, Cravel.

Fonte de Barreiros

O nome será o mesmo do ribeiro que ali passava e a alimentava. Hoje, só há o lavadouro. Local: Largo Soares dos Reis.

Fonte do Casal

Em finais do século XIX, as obras do túnel do caminho-de-ferro entre Gaia e Porto obrigaram ao desvio das águas de uma fonte e de poços particulares no Lugar do Casal, ficando os moradores sem água. Em 1965, os moradores da Rua de 14 de Outubro pediram à junta de freguesia a demolição da fonte por insalubridade. A vistoria concluiu que a água era boa. A fonte ainda se mantém. Local: Lugar do Casal, Mafamude.

Fonte dos Arrependidos

É uma das mais antigas de Mafamude e situa-se na antiga estrada Porto-Lisboa, a um nível inferior à estrada. Em 1989, após análises à água, foi considerada “bacteriologicamente pura”, em constraste com grande parte das outras fontes da freguesia. Local: Laborim.

Fonte da Palmeira

Escavada no chão, esteve desativada muito tempo e foi recuperada em 1952. Em 1990, a sua água foi considerada imprópria para consumo. Local: Laborim.

Fonte de Laborim de Baixo

Inaugurada a 24 de Fevereiro de 1942, cedo enfrentou problemas: no fornecimento de água e na conservação. Em 1979, a Junta de Mafamude reconhece uma avaria e que a pouca água se perde pelos terrenos vizinhos. Em 1986, foi pintada, mas continua sem água. Local: Laborim de Baixo.

Fonte de S. Sebastião da Bandeira

Também conhecida por Fonte do Mártir, da Bandeira, de S. Sebastião ou dos Golfinhos remonta aos inícios do século XIX. Na sua localização original, foi fechada à chave pela Câmara (1880), reconstruída (1892) e a sua água dada como imprópria (1899). Vários episódios depois (1987), a população impediu que fosse transferida para o Largo de Miguel Bombarda, Santa Marinha. Local: Largo dos Aviadores.

Fonte de José Rocha

Pertencia à Quinta de Paço de Rei. Antes de ser vendida, o seu proprietário ofereceu-a à freguesia, que a colocou onde hoje se encontra. Local: Rua de José Rocha.

Fonte de Paço de Rei

Inaugurada em 1952, é feita de granito e tem ao centro um conjunto de azulejos representado os Silvas da Herdade de Paço de Rei. Por baixo, há um outro representando Santa Luzia, em homenagem à mulher de Honório Tavares da Costa, Luzia Dias da Silva. Local: Rua de José Rocha.

Fonte de Santo Ovídio

Há um registo de 1846 e um de 1899, referindo-se à qualidade da água como “suspeita”. Em 1908, os habitantes de Santo Ovídio, Rasa, Monte Grande e Telhado reclamam a sua reabilitação. Enquadra-a um painel de azulejos monocromáticos representando motivos marinhos. Local: Largo de Santo Ovídio.

Fonte Santo Ovídio

A necessidade de uma fonte é reclamada em 1900 pela população. Em 1910, havia água na fonte e o Matadouro pôde ter boas condições de higiene. Com o tempo, a qualidade da água diminuiu e deixou de ser potável. A fonte é construída em cantaria de granito com tanque circular, tem no centro um obelisco quadrangular de onde saem duas bicas com forma de focinho de leão. Local: Largo de Estêvão Torres.
Havia mais fontes, mas desapareceram. A Fonte da Rigueira, em Paço de Rei, e a Fonte do Trancoso, demolida para dar lugar ao edifíco do El Corte Inglès, são disso exemplo.