Um projeto socialmente inovador e inclusivo

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Francisco Caneira Madelino, presidente do Conselho de Administração da Fundação INATEL

Nos tempos em que vivemos, as tecnologias digitais são indissociáveis da vida comum de todos nós. Quem não as saber usar fica, em grande parte, excluído de tudo aquilo que elas propiciam. Excluídos do seu potencial, do conhecimento que proporcionam, da informação que dissemina, das relações sociais que criam e das ferramentas e filtros aos seus perigos. Quando mais envelhecida ou mais desfavorecida socialmente for a comunidade, mais estes problemas se manifestam.

O projeto Vozes de Gaia, desenvolvido em pareceria entre a Fundação INATEL, o jornal PÚBLICO e a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, tem precisamente por objetivo combater a iliteracia digital, desenvolvendo métodos inovadores de a diminuir em públicos mais afastados destas tecnologias e, sobretudo, de se defender de usos negativos que delas se podem fazer, como é o caso das notícias falsas (fake news).

Sabe-se que o acesso livre à informação é um elemento fundamental de salvaguarda das democracias. É por esse acesso que os cidadãos tomam decisões racionais, desde o plano económico e do saber, ao escrutínio das autoridades e políticas públicas. Hoje, essa informação passa significativamente, e cada vez mais, pelos meios digitais, estas permitem uma disseminação rápida e maior, mas também surge associada a formas de divulgar notícias falsas, maldosas, geradoras de pulsões sociais objetivadas para fins menos dignos.

Surgem assim os elementos fundamentais do projeto: como facilitar o acesso às novas tecnologias digitais a pessoas delas afastadas e como dar-lhes ferramentas de escrutinar a sua veracidade?

Associaram-se assim estas três entidades de forma a responder a estas questões. A incorporação duma autarquia dá acesso ao terreno e às suas especificidades. O envolvimento dum jornal de referência, como o PÚBLICO, permite introduzir elementos bastante qualificados que estruturam as regras de escrutinar a veracidade das notícias, por jornalistas experimentados, e desenvolver projetos aplicados.

Por todas estas razões, este é um projeto a que a INATEL ter-se-ia de associar, face à sua missão.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico