Pequenos em tamanho, rolam em grande no Hóquei

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Por Jorge Santos

“Deixar de gatinhar para logo a seguir aprender a patinar”, podia ser o lema das meninas e meninos das “escolinhas” do Carvalhos. Uma das atletas, com oito anos, admite medo; quando entra no ringue, tudo muda. Ela e outros 30.

Com jogadores de muito jovens a frequentar as escolinhas, Sérgio Oliveira, Presidente da Direção, do Clube Hóquei dos Carvalhos, afirma que o normal é as crianças começarem cedo na modalidade pois “caso contrário correm o risco de abandonar. Se um miúdo com oito anos, por exemplo, chegar aqui e sentir que há um de cinco que patina muito melhor, isso inibe-o, sente-se inferiorizado. Não pretendemos isso.”

Para ir não é necessário perceber as regras do jogo ou até ter equipamento. Basta vontade e aparecer no Pavilhão dos Carvalhos às terças-feiras, às 18:00, e aos sábados às 10:30, para ir ao um treino de experimentação (mais informações AQUI). “Temos sempre aqui equipamento e protecções; oferecemos um mês de experiência. Depois, se lhes agradar, inscrevem-se e continuam” , confirma o presidente dos carvalhenses.

Quem chega ao Pavilhão dos Carvalhos e se depara com cerca de meia centena de adultos, entre pais, avós, familiares, amigos, a calçarem os patins às crianças entre os cinco aos dez anos, é porque está prestes a iniciar-se um treino da “jóia da coroa” deste clube gaiense: o das escolinhas, ou “bâmbis”. E a tarefa não é fácil, tal é o número de acessórios de proteção: cotoveleiras, caneleiras, joelheiras, meias compridas e, claro, enfiar depois os pés nos patins. Já para não falar do grau de dificuldade que é equipar o guarda-redes…

A árdua tarefa cabe aos pais ou adultos que acompanham os mais pequenos, enquanto estes, de olhos postos na pista, absorvem todas as manobras que vão sendo feitas no “palco”. Ali bem perto, em fotografia, estão os ídolos de todos – Telmo Pinto, Reinaldo Ventura e Filipe Santos, “Internacionais” do hóquei português e campeões do mundo – que iniciaram também a sua formação nos Carvalhos e, agora alimentam os sonhos de uma carreira igual daqueles que neles se motivam.

Já no recinto de jogo, o foco é o equilíbrio e as indicações do senhor Ferraz, do senhor Almeida e de algumas atletas juvenis que ajudam a treinar os iniciados. O medo de cair é bem real, embora varie de jovem para jovem. “É normal, ao início mas há miúdos e miúdas, mais irreverentes,  mais ousados. Vão aprender a cair e, por isso, as quedas também fazem parte da aprendizagem do hóquei em patins“, confirma Sérgio Oliveira.

Uma das atletas com apenas oito anos, enquanto a mãe e a avó quase transpiram para lhe colocar os pés nos patins, confidencia “Gosto muito de hóquei, mas, às vezes, os cordões desapertam-se e eu caio.” Já na pista, não há qualquer medo visível. A menina move-se com os patins como se deslizasse sobre nuvens.

A ousadia e entrega à modalidade é comum a todos os que vivem o dia-a-dia no Clube Hóquei dos Carvalhos. “Há uma mística, um ADN muito próprio. Quem por aqui passa fica sempre com uma “costela” carvalhense” , remata Sérgio Oliveira, sem disfarçar o orgulho.

Clube precisa de todos

 Como em qualquer  as associação, os patrocínios são escassos e a pandemia não ajudou ao actual cenário de falta de apoios. Também pelo caminho vão ficando elementos que, por um ou outro motivo, acabam por se distanciar do clube ou até da modalidade.

“O que mais desejava agora”, observa Sérgio Oliveira ,“era que todos regressassem ao clube. Todos aqueles que tiveram alguma coisa mal resolvida no passado, voltassem. O tempo é outro e muito difícil. Só em patrocínios, por causa do COVID , perdemos metade. Era essencial para o crescimento, que regressassem. De costas voltadas, somos sempre mais fracos. Apelo a todos para que voltem.”

“Precisamos de mais um Pavilhão”

“Vila Nova de Gaia tem uma lacuna grave, a falta de pavilhões com piso
adequado ao hóquei em patins; temos projetos, mas falta de condições
para os concretizar. Queríamos muito reativar a equipa de “veteranos”,
criar uma de Patinagem Artística, mas não temos espaço; com o que
temos, às vezes, vamos para pavilhões de fora do concelho treinar”.
O presidente da coletividade sabe bem o que quer e as necessidades
a médio prazo. “Temos um terreno nosso, atrás do pavilhão e pretendemos transformá-lo em ringue. Nem precisa de ser totalmente fechado, basta
que tenha o piso, as tabelas e tapado por cima. Estamos em negociações
com a Câmara e com a Junta de Freguesia de Pedroso, para vermos como
resolver o assunto. Não precisamos de tudo, mas de uma ajuda, porque
há coisas que nós sabemos, garantimos e podemos fazer.”

Palmarés de respeito

Sócio fundador da Associação de Patinagem do Porto, o Carvalhos, nestes seus 82 anos, tem somado muitos títulos. As equipas femininas, actualmente no 2º Lugar da Primeira Divisão, Zona Norte, arrecadaram o campeonato nacional por duas vezes, uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Nos masculinos, quase todas as equipa da formação ganharam o título nacional. De destacar Iniciados e Infantis que o venceram  em duas ocasiões. No presente, a equipa senior masculina está a diputar a segunda divisão, onde ocupa um honroso terceiro lugar, muito próxima do “play-off” de subida.